Reforma do Estatuto do São Paulo é rejeitada pelo Conselho Deliberativo; veja detalhes da votação

Reforma do Estatuto do São Paulo é rejeitada pelo Conselho Deliberativo; veja detalhes da votação

O Conselho Deliberativo do São Paulo rejeitou, na noite desta quinta-feira (27), todas as 54 propostas de reforma do Estatuto Social do clube, divididas em 11 blocos temáticos. A decisão, tomada por 239 dos 255 conselheiros aptos a votar, representa uma vitória política para o atual presidente Harry Massis e seus apoiadores, que se posicionaram contra as mudanças. Entre os pontos rejeitados, estava a criação de um estudo de viabilidade para transformar o futebol do clube em uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF), proposta que obteve 136 votos contrários (57,14%) contra 99 favoráveis (41,60%).

Contexto político e pressão antes da votação

A discussão ganhou contornos ainda mais intensos devido à proximidade da eleição presidencial do São Paulo, marcada para dezembro deste ano. O próximo presidente do clube será escolhido pelos próprios membros do Conselho Deliberativo, o que aumentou o peso das alianças políticas internas. Nos dias que antecederam a votação, grupos ligados à situação passaram a defender abertamente a rejeição das reformas, argumentando que as 54 alterações não haviam sido submetidas ao Conselho com prazo adequado para análise.

Marcos Ribolli, integrante do Conselho e defensor da manutenção do atual estatuto, destacou que as mudanças propostas não poderiam ser implementadas sem um período mais longo de discussão. A comissão responsável pela elaboração das reformas, entretanto, alegava que as alterações eram necessárias para modernizar a estrutura de poder do clube e aumentar a transparência na gestão.

Detalhamento da votação: 11 blocos rejeitados em números

A votação, realizada de forma híbrida — com votos presenciais e online —, registrou resultados apertados em todos os blocos. O bloco com maior rejeição foi o que tratava do estudo de viabilidade para SAF, com 136 votos contrários. Já o bloco sobre governança institucional e separação de funções teve 127 votos contra (53,96%) e 109 a favor (45,80%). Os demais blocos também apresentaram margens estreitas, como o de integridade, ouvidoria e compliance (122 contra, 52,94%) e o de transparência financeira (123 contra, 51,68%).

Os resultados mostram que, embora a maioria dos conselheiros tenha se posicionado contra as reformas, a divisão de votos refletiu um clube ainda dividido sobre o futuro administrativo do São Paulo. Apenas 12 dos 239 votantes não seguiram a orientação dos grupos políticos majoritários, segundo informações do clube.

Impacto imediato: negociação de Enzo Díaz e eleições presidenciais

Com a rejeição das reformas, o São Paulo mantém seu modelo atual de gestão, mas a decisão pode ter reflexos em negociações recentes. O clube tem até 11 de setembro para negociar a venda do atacante Enzo Díaz, conforme acordo prévio. A manutenção do status quo também reforça a importância da eleição de dezembro, onde os conselheiros decidirão se Harry Massis terá condições de continuar à frente do clube ou se um novo grupo assumirá o controle.

A discussão sobre a reforma estatutária, que durou meses, agora cede espaço para a campanha eleitoral, com candidatos já começando a articular suas bases de apoio entre os 255 conselheiros. A rejeição das propostas, entretanto, não encerra o debate sobre a modernização do clube, mas adianta a necessidade de novas estratégias para os próximos meses.

A decisão do Conselho Deliberativo deixa claro que, pelo menos no curto prazo, o São Paulo seguirá com sua estrutura atual, enquanto os grupos políticos preparam suas estratégias para as eleições de fim de ano. A rejeição das reformas, embora esperada por parte dos apoiadores de Massis, não elimina as pressões por mudanças no clube, especialmente em um cenário de resultados esportivos abaixo das expectativas.

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