Gustavo Scarpa e Galeitura: como hábito de leitura do meia virou fenômeno cultural no Atlético-MG

Gustavo Scarpa e Galeitura: como hábito de leitura do meia virou fenômeno cultural no Atlético-MG

O meia Gustavo Scarpa, ídolo do Atlético-MG, transformou um simples hábito pessoal em um movimento cultural que ultrapassou os limites do futebol. Suas resenhas de livros publicadas nas redes sociais deram origem à Galeitura, um clube do livro formado por torcedores do Galo que já reúne mais de 80 mil seguidores no Instagram e 500 integrantes no WhatsApp. O fenômeno não apenas conquistou a torcida atleticana, mas também chamou a atenção internacional, com destaque em veículos como o argentino Diário Olé e a repercussão de obras como A Morte de Ivan Ilitch, de Liev Tolstói, que se tornou o livro mais vendido da Amazon Brasil após a indicação de Scarpa.

O movimento nasceu de forma orgânica após Scarpa compartilhar suas leituras em vídeos nas redes sociais. A estudante de Letras e atleticana Carolina Marques criou o grupo Galeitura em setembro de 2026, inspirada pela repercussão das indicações do jogador. Em menos de 24 horas após a primeira postagem no X (antigo Twitter), mais de 300 pessoas já haviam se cadastrado, demonstrando o engajamento imediato da comunidade. A proposta é simples: a cada mês, o grupo escolhe um livro indicado por Scarpa, compartilha opiniões e produz uma resenha coletiva, com cronograma definido e lives de discussão.

Como a Galeitura transformou a leitura em um fenômeno social no futebol

A Galeitura não se limitou ao Atlético-MG. O movimento inspirou outras torcidas a criar clubes do livro semelhantes, mostrando que o interesse pela leitura pode transcender as barreiras do esporte. O hábito de Scarpa de compartilhar suas leituras começou ainda em 2018, quando jogava pelo Palmeiras, mas foi no Galo que o projeto ganhou escala e visibilidade nacional. A repercussão foi tão grande que até mesmo escritores como Fabi Seppe e Socorro Acioli, autora do best-seller A Cabeça do Santo, declararam admiração pelo movimento e passaram a torcer pelo Atlético-MG por causa da iniciativa.

O sucesso da Galeitura também chamou a atenção da mídia internacional. O Diário Olé, da Argentina, publicou uma matéria com a manchete: ‘De ganhar a Libertadores a fenômeno cultural: a paixão de Gustavo Scarpa que é um sucesso no Brasil’. A publicação destacou como o jogador, que já havia conquistado títulos importantes pelo Palmeiras, agora se tornava referência em um novo tipo de engajamento com a torcida. A escritora cearense Socorro Acioli, emocionada com o movimento, afirmou: ‘Tenho certeza que vai ser algo grande, é muito maneiro propagar a leitura assim’.

Galeitura Atlético-MG: estrutura e dinâmica do clube do livro

A Galeitura funciona com um cronograma mensal de leitura, no qual os participantes seguem um ritmo de capítulos semanais. Para o livro A Morte de Ivan Ilitch, por exemplo, o grupo estabeleceu um cronograma de três semanas, com quatro capítulos por semana: de 16 a 22 de setembro (capítulos 1 a 4), 23 a 29 de setembro (capítulos 5 a 8) e 30 de setembro a 6 de outubro (capítulos 9 a 12). A cada etapa, são realizadas discussões online, incluindo lives para debater os avanços da leitura. A primeira live, sobre os quatro primeiros capítulos, já foi realizada, mostrando a interação constante entre os membros.

A estrutura do grupo é descentralizada, com discussões acontecendo no WhatsApp e no Instagram, onde mais de 80 mil seguidores acompanham as atualizações. A criadora do movimento, Carolina Marques, explicou como tudo começou: ‘Eu estava olhando a repercussão dos memes e das leituras do Scarpa. Aí eu postei no meu Twitter: e se a gente fizesse um clube do livro chamado Galeitura pra ler os livros do Scarpa? No dia seguinte, tinha um monte de gente querendo entrar’. Em menos de 24 horas, o grupo já contava com mais de 300 integrantes, um crescimento exponencial que refletiu o apelo da ideia.

Influência de Scarpa e expansão do movimento para além do Atlético-MG

O hábito de leitura de Gustavo Scarpa não se restringiu à Galeitura. Recentemente, o meia criou um canal no YouTube para publicar resenhas detalhadas sobre as obras que lê, ampliando ainda mais seu alcance. Sua influência dentro do elenco do Atlético-MG também cresceu, com outros jogadores passando a adotar o costume de compartilhar suas leituras. O movimento, que começou como uma curiosidade, tornou-se um símbolo de como o futebol pode ser um vetor de cultura e engajamento social.

O fenômeno da Galeitura também serviu como inspiração para torcidas de outros clubes. Jogadores de times como Flamengo e Corinthians, após provocação, passaram a aderir ao hábito de compartilhar suas leituras, mostrando que a ideia pode se espalhar rapidamente pelo universo esportivo. A repercussão internacional, especialmente na Argentina, reforçou a ideia de que Scarpa não é apenas um craque em campo, mas também um influenciador cultural.

Scarpa, em entrevista, chegou a declarar: ‘Nunca me senti tão famoso’, resumindo o impacto inesperado de suas resenhas literárias. O movimento, que começou como um hobby, agora é estudado como um caso de sucesso de engajamento entre atletas e torcidas, provando que o esporte pode ser muito mais do que apenas jogos e títulos.

O sucesso da Galeitura também trouxe visibilidade para obras menos conhecidas do grande público. Livros como A Morte de Ivan Ilitch, de Liev Tolstói, que haviam sido publicados há décadas, voltaram a figurar entre os mais vendidos no Brasil graças à indicação de Scarpa. A iniciativa ainda incentivou discussões sobre literatura em ambientes não convencionais, como grupos de torcedores, mostrando que a cultura pode encontrar novos espaços de disseminação.

Além do impacto cultural, a Galeitura também gerou um efeito prático na vida de seus participantes. Muitos torcedores passaram a ler mais regularmente, graças ao compromisso coletivo e às discussões em grupo. A estudante Carolina Marques, criadora do movimento, destacou que a iniciativa não se limitou à leitura: ‘É um espaço de troca de experiências e de construção de comunidade’. A Galeitura, assim, tornou-se um exemplo de como um pequeno hábito pode se transformar em um movimento de grande alcance.

O fenômeno também chamou a atenção de editoras e autores, que passaram a enxergar nos atletas uma nova forma de promover a literatura. A escritora Fabi Seppe, por exemplo, gravou um vídeo emocionado em seu perfil nas redes sociais, agradecendo a Scarpa pelo impulso dado à leitura. Autores como Socorro Acioli, que já era conhecida pelo sucesso de A Cabeça do Santo, declararam que passaram a torcer pelo Atlético-MG por causa da Galeitura, um feito inédito no futebol brasileiro.

O movimento ainda está em expansão, com planos de incluir mais livros, autores brasileiros e internacionais, e até mesmo parcerias com editoras para lançamentos exclusivos para os membros da Galeitura. A criatividade do projeto, aliada ao carisma de Scarpa, fez com que a iniciativa deixasse de ser apenas uma curiosidade para se tornar um marco na relação entre futebol e cultura no Brasil.

Com mais de 80 mil seguidores no Instagram e centenas de participantes ativos no WhatsApp, a Galeitura já se consolidou como um fenômeno. O sucesso do movimento prova que, em tempos de redes sociais e engajamento digital, até mesmo um simples hábito pode se transformar em algo maior, capaz de unir torcidas, jogadores e amantes da literatura em torno de um objetivo comum.

Gustavo Scarpa, que já era um ídolo dentro de campo, agora também é referência fora dele. Sua paixão pela leitura, compartilhada de forma tão natural, mostrou que o futebol pode ser um palco para múltiplas formas de expressão, e que a cultura pode encontrar novos caminhos através do esporte.

Com informações de ge (Globo Esporte).

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